sexta-feira, fevereiro 14, 2003

Registros da jornada em busca do centro do Caern- parte 7:

Depois da crise no último registro, as coisas melhoraram um pouco. decidi seguir o caminho com mais afinco e rapidez nos meus pés, e estou chegando a paisagens do caern deveras estranhas até mesmo para a dona dele. A impressão que me dá é que a cada instante, as folhagens das árvores mudam de formato; a cada relance de olhar, as cores parecem mudar.

Ando ouvindo vozes na minha cabeça. Quando estou dormindo, elas conversam entre si como se decidissem meu destino. São duas vozes femininas, praticamente o mesmo tom de voz porém com entonações bem diferentes.Uma costuma dar bronca na outra: a primeira, firme, grave e com um ar de sabedoria ignorada; a segunda, reticente, histriônica e que acaba ecidindo as coisas muitas vezes por impulso. As duas brigam muito, mas no final tentam se entender e pronunciam diretrizes pra mim juntas, como num coro.

Outro dia elas comentaram alguma coisa sobre o centro do caern mas que infelizmente não pude acompanhar todo o assunto; algo como eu não conseguir encontrar o centro.
Mas ele possui um centro. É onde todas as outras coisas nasceram, onde a primeira árvore foi plantada, onde o primeiro espírito mora. Tudo têm um centro; alguns mais fáceis, outros mais difíceis de achar. Nós temos um centro: esse é diferente do centro do caern, e a procura por ele motiva toda uma vida, talvez mais de uma...

Estou chegando próximo desse lugar aqui na minha floresta. Sinto que as coisas estão estranhas, o cheiro de orvalho não é mais o mesmo.
Resignei-me quanto ao coração. Ele caminha comigo, e hoje retirou mais uma tala; ainda manca, mas está com menos curativos. Decidi que quando eu retornar ele vai poder caminhar livre por aí novamente, mas que nada será como antes. Teremos uma conversa bem séria, nós dois.

Nicneven

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