Registros da jornada em busca do centro do Caern- parte 3:
Logo após o segundo dia de viagem, fui pega por uma chuva extremamente forte que quase levou minha mochila -e eu!- embora na enxurrada. Praticamente perdi meu chão; a trilha desapareceu em uma correnteza de lama que me impedia até mesmo de conseguir fincar os pés no chão. Caí, me segurei nos galhos que pude, me machuquei muito, e por sorte consegui segurar o coração- que já estava praticamente incosciente com a quantidade de quedas que sofreu.
Puxei uma corda de dentro da minha mochila e amarrei a cintura do coração, unindo-a à minha com outro pedaço de corda para que ele não fosse embora....capenga ou não, escoriado, machucado, desacordado, aquele coração ainda é meu e eu não vou desistir dele.
Joguei minhas coisas pra cima de um galho forte capaz de nos sustentar, e ficamos todos lá em cima esperando a chuva passar.
Todo o trabalho de limpeza no riacho foi em vão; o coração acabou de acordar, mas está choramingando como uma criança enquanto tento improvisar uma tala em sua perna direita, avariada durante as quedas. Todas as feridas dele foram abertas de novo, e eu tento limpá-las com a água da chuva, mas ele sangra muito. E eu também, suja e profundamente exausta. pega de surpresa por um erro tão bobo, o de não ter estabelecido uma trilha segura nem ter observado as condições do tempo.
A chuva não cessou até agora.
Improvisei uma rede ali mesmo no alto, cobrindo-as com uma manta e fazendo uma espécie de cabana suspensa, e ficamos descansando na esperança de que nosso metabolismo funcionasse bem mesmo diante de tanto infortúnio inesperado.
Escrevo agora ainda aqui de cima, enquanto velo o sono conturbado do coração. Não sei quando essa chuva vai passar, mas tenho claro pra mim que, dentro em breve, arrumarei minhas coisas e irei assim mesmo continuar minha jornada. Já não espero encontrar muita ajuda, o que aparecer será surpreendente e muito bem vindo. Só sei que tenho que seguir; mas a essa altura eu perdi minha trilha e terei que fazer outra às escuras.
Nicneven
Logo após o segundo dia de viagem, fui pega por uma chuva extremamente forte que quase levou minha mochila -e eu!- embora na enxurrada. Praticamente perdi meu chão; a trilha desapareceu em uma correnteza de lama que me impedia até mesmo de conseguir fincar os pés no chão. Caí, me segurei nos galhos que pude, me machuquei muito, e por sorte consegui segurar o coração- que já estava praticamente incosciente com a quantidade de quedas que sofreu.
Puxei uma corda de dentro da minha mochila e amarrei a cintura do coração, unindo-a à minha com outro pedaço de corda para que ele não fosse embora....capenga ou não, escoriado, machucado, desacordado, aquele coração ainda é meu e eu não vou desistir dele.
Joguei minhas coisas pra cima de um galho forte capaz de nos sustentar, e ficamos todos lá em cima esperando a chuva passar.
Todo o trabalho de limpeza no riacho foi em vão; o coração acabou de acordar, mas está choramingando como uma criança enquanto tento improvisar uma tala em sua perna direita, avariada durante as quedas. Todas as feridas dele foram abertas de novo, e eu tento limpá-las com a água da chuva, mas ele sangra muito. E eu também, suja e profundamente exausta. pega de surpresa por um erro tão bobo, o de não ter estabelecido uma trilha segura nem ter observado as condições do tempo.
A chuva não cessou até agora.
Improvisei uma rede ali mesmo no alto, cobrindo-as com uma manta e fazendo uma espécie de cabana suspensa, e ficamos descansando na esperança de que nosso metabolismo funcionasse bem mesmo diante de tanto infortúnio inesperado.
Escrevo agora ainda aqui de cima, enquanto velo o sono conturbado do coração. Não sei quando essa chuva vai passar, mas tenho claro pra mim que, dentro em breve, arrumarei minhas coisas e irei assim mesmo continuar minha jornada. Já não espero encontrar muita ajuda, o que aparecer será surpreendente e muito bem vindo. Só sei que tenho que seguir; mas a essa altura eu perdi minha trilha e terei que fazer outra às escuras.
Nicneven

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