Registros da jornada em busca do Centro do Caern- parte 2:
Segundo dia de viagem. Acabei voltando muitos passos pra buscar o coração, aquele sem-vergonha, e acabei por não avançar muito no caminho. Com aquela carinha de "é tia, vou curar minhas feridas aqui quietinho, mas queria tanto uma companhia..." ele acabou me convencendo. Pestinha.
Graças a isso eu não tive grandes progressos, ao menos em termos de proximidade do centro. Até que o coração é uma boa companhia quando não está pensando em suplícios amorosos; me diverti bastante e ri muito com ele me contando estripulias passadas. Esse menino vai longe...só precisa que alguém lhe dê um empurrãozinho.
Já cansada de tanto pular troncos caídos e espantar espíritozinhos teimosos e irritantes, chegamos a um dos riachos que corta o caern. Esse não é o maior deles, mas não é menos bonito. Enchi meu cantil com aquela água límpida, fiz o coração lavar suas feridas na marra e notei que elas estão começando a cicatrizar de uma forma mais bonita. Então lavei meu rosto na água, e parei para notar meu reflexo naquelas águas.
Não...como eu pude me descuidar dessa maneira? Como eu permiti que eu afundasse e esquecesse de cuidar de mim mesma? Passei as mãos pelos meus cabelos desgrenhados, toquei meus olhos, e vi o quanto eles ainda estavam inchados e cansados. Ao dedicar todo o meu pensamento a alguém, esqueci de olhar para mim mesma. Como me importar com os outros e me abandonar dessa maneira?
Não mais. Me joguei dentro do riacho lavando a alma e meus cabelos, limpando cada centímetro de mácula e rancor, e dando graças por ter percebido o quanto eu me acabei até então.
E fiz questão de empurrar o coração pra dentro d'água junto comigo pra ele já ir aprendendo a nadar e pra que eu faça menos esforço puxando-o pra superfície.
Não, ainda não encontrei um curandeiro. E vi uma sombra negra de um grande felino esgueirando-se pelas árvores.
Nicneven
Segundo dia de viagem. Acabei voltando muitos passos pra buscar o coração, aquele sem-vergonha, e acabei por não avançar muito no caminho. Com aquela carinha de "é tia, vou curar minhas feridas aqui quietinho, mas queria tanto uma companhia..." ele acabou me convencendo. Pestinha.
Graças a isso eu não tive grandes progressos, ao menos em termos de proximidade do centro. Até que o coração é uma boa companhia quando não está pensando em suplícios amorosos; me diverti bastante e ri muito com ele me contando estripulias passadas. Esse menino vai longe...só precisa que alguém lhe dê um empurrãozinho.
Já cansada de tanto pular troncos caídos e espantar espíritozinhos teimosos e irritantes, chegamos a um dos riachos que corta o caern. Esse não é o maior deles, mas não é menos bonito. Enchi meu cantil com aquela água límpida, fiz o coração lavar suas feridas na marra e notei que elas estão começando a cicatrizar de uma forma mais bonita. Então lavei meu rosto na água, e parei para notar meu reflexo naquelas águas.
Não...como eu pude me descuidar dessa maneira? Como eu permiti que eu afundasse e esquecesse de cuidar de mim mesma? Passei as mãos pelos meus cabelos desgrenhados, toquei meus olhos, e vi o quanto eles ainda estavam inchados e cansados. Ao dedicar todo o meu pensamento a alguém, esqueci de olhar para mim mesma. Como me importar com os outros e me abandonar dessa maneira?
Não mais. Me joguei dentro do riacho lavando a alma e meus cabelos, limpando cada centímetro de mácula e rancor, e dando graças por ter percebido o quanto eu me acabei até então.
E fiz questão de empurrar o coração pra dentro d'água junto comigo pra ele já ir aprendendo a nadar e pra que eu faça menos esforço puxando-o pra superfície.
Não, ainda não encontrei um curandeiro. E vi uma sombra negra de um grande felino esgueirando-se pelas árvores.
Nicneven

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