quarta-feira, agosto 17, 2005

She's Leaving Home

Hoje descobri que um funcionário de Mordor, um perfeito energúmino que maltratava suas namoradas, vai ser pai, via aquele famoso tipo de "acidente".

Contabilizei as pessoas próximas de alguma forma a mim no meu dia-a-dia e percebi que praticamente metade delas sofreu o mesmo tipo de "acidente". Algumas amadureceram rápido por isso e hoje têm famílias e afins; a grossa maioria tocou o célebre foda-se e não cria/não vê/ não se importa com o "acidente".
O que me leva à questão: eu tenho 25 anos. Sempre fui extremamente neurótica com a possibilidade de sofrer um "acidente", então tive uma vida bem controlada. Mas veja só: eu não sei o que fazer com essa vida! Cada vez que paro pra refletir no assunto "formação de família", eu me pego pensando no quão ruim essa perspectiva é.
Não acho que nasci pra casar, ter filhos, criá-los, me desdobrar pra manter uma casa e um emprego nesse mundo machista de merda que (infelizmente) eu vivo. Talvez, apesar de minhas neuroses, eu tenha mais capacidade de criar uma criança saudável do que 80% desses pais acidentais que conheço, mas eu não tenho essa ânsia. Porque, nos últimos tempos, têm me dado uma vontade louca de largar tudo e cair no mundo, de deixar essa veia ariana que eu sempre amaldiçoei tomar conta de meus atos e me deixar livre.
Liberdade é um conceito tão tangível, tão deturpável. Ter de dar satisfações somente a seu próprio coração, pensar o que bem entender sem culpa, não ter amarras que tolhem seu bem-estar. Isso também é liberdade. Mas ninguém liga.

O que pretendo estar fazendo daqui a 5 anos?
Que tipo de coisa eu plantei na minha vida?
Tenho 25 anos, mas para eles virarem 30 é um piscar de olhos. O quanto vivi minha liberdade antes que ela seja efetivamente perdida, ou conformada com as convenções?

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