Ok, amanhã é dia da criança.
É dia de Nossa Senhora Aparecida também, e eu respeito santas. A Igreja nunca gostou muito delas e eu as valorizo por terem dobrado os dogmas.
Momento teológico terminado, vamos ao motivo do post: nostalgia dos tempos de criança.
Ahá, mas todo mundo faz isso não? Vibrar com os desenhos da Warner/Hanna&Barbera/Animes clássicos, lembrar das tardes e férias brincando quando a grande indústria de brinquedos era a Estrela e a Grow e assistir aos programas infantis quando a única pessoa seminua rebolando era a apresentadora (ou quando não havia uma apresentadora e sim um grupo de crianças cantantes).
Não é bem dessa nostalgia que eu quero dizer. Posso parecer uma grande pentelha, que gosta de viver no passado (grande música) e que não admite as mudanças de comportamento, mas o que vou fazer se não acho lá muito coerente uma criança de 10 anos ficar usando shortinhos míni rebolando e se esfregando em adultos imitando as dancinhas de axé e funk RJ (que não têm nada a ver com funk de verdade)? Que farei eu ao ver que a brincadeira de médico virou regra e que imitar "mano" virou coisa bonita? (e o mais engraçado: quem imita não têm motivo algum pra isso. A conta bancária das famílias deles diz o mesmo)
Ser criança tornou-se algo nocivo, ruim. Bom mesmo é ter namorados com 7 anos e colecionar transas com 13. Bom mesmo é trocar as tais tardes com os brinquedos e os amigos por idas a barzinhos. Ser adulto é bonito, logo vamos todos fumar e beber pra que nossa identidade e nosso rosto de jovem seja escondido pela fumaça e pelos goles daquelas bebidas que são amargas pro nosso paladar mas que, afinal, trazem status.
Dizer que "no meu tempo era melhor" é clichê. Mas eu tenho uma saudade saudável daquela época, uma nostalgia gostosa de que terei muito a contar para meus filhos se um dia eles existirem. O que as crianças de hoje terão a contar, já que elas já vivem como pessoas da minha idade? Qual o problema em ter brinquedos e, pasmem, usá-los?
E o mais contraditório: torna-se adolescente/adulto muito cedo, mas a cada dia os adultos estão voltando a viver como adolescentes, tentando insconscientemente retardar a sisudez adulta e recuperar algo que só agora eles perceberam que é importante: a inocência. Não como forma de ingenuidade, tolice, sinônimo de gaiato. Inocência como liberdade de pensamento, de saber que é sadio brincar e de saber, também, a ser responsável. Crianças de 5 anos são muito responsáveis, a seu modo.
Deveriam continuar a incentivar esse comportamento inato delas.
Deveriam é incentivá-las a serem crianças. Se vocês têm filhos, sobrinhos, qualquer conhecido com idade entre 0 e 14 anos, lembre-os sempre disso. Ser adulto não é nem nunca foi ser melhor, e somente os hipócritas incentivam esse tipo de disparate, inferiorizando a opinião dos mais jovens. Eles podem não saber de muita coisa, mas aprendem rápido. E nem sempre com as fontes mais saudáveis.
Comemorem. Com 10, 20, 40 ou bem mais que isso. Aquele negócio de "criança interior" é verdade.
Nicneven
É dia de Nossa Senhora Aparecida também, e eu respeito santas. A Igreja nunca gostou muito delas e eu as valorizo por terem dobrado os dogmas.
Momento teológico terminado, vamos ao motivo do post: nostalgia dos tempos de criança.
Ahá, mas todo mundo faz isso não? Vibrar com os desenhos da Warner/Hanna&Barbera/Animes clássicos, lembrar das tardes e férias brincando quando a grande indústria de brinquedos era a Estrela e a Grow e assistir aos programas infantis quando a única pessoa seminua rebolando era a apresentadora (ou quando não havia uma apresentadora e sim um grupo de crianças cantantes).
Não é bem dessa nostalgia que eu quero dizer. Posso parecer uma grande pentelha, que gosta de viver no passado (grande música) e que não admite as mudanças de comportamento, mas o que vou fazer se não acho lá muito coerente uma criança de 10 anos ficar usando shortinhos míni rebolando e se esfregando em adultos imitando as dancinhas de axé e funk RJ (que não têm nada a ver com funk de verdade)? Que farei eu ao ver que a brincadeira de médico virou regra e que imitar "mano" virou coisa bonita? (e o mais engraçado: quem imita não têm motivo algum pra isso. A conta bancária das famílias deles diz o mesmo)
Ser criança tornou-se algo nocivo, ruim. Bom mesmo é ter namorados com 7 anos e colecionar transas com 13. Bom mesmo é trocar as tais tardes com os brinquedos e os amigos por idas a barzinhos. Ser adulto é bonito, logo vamos todos fumar e beber pra que nossa identidade e nosso rosto de jovem seja escondido pela fumaça e pelos goles daquelas bebidas que são amargas pro nosso paladar mas que, afinal, trazem status.
Dizer que "no meu tempo era melhor" é clichê. Mas eu tenho uma saudade saudável daquela época, uma nostalgia gostosa de que terei muito a contar para meus filhos se um dia eles existirem. O que as crianças de hoje terão a contar, já que elas já vivem como pessoas da minha idade? Qual o problema em ter brinquedos e, pasmem, usá-los?
E o mais contraditório: torna-se adolescente/adulto muito cedo, mas a cada dia os adultos estão voltando a viver como adolescentes, tentando insconscientemente retardar a sisudez adulta e recuperar algo que só agora eles perceberam que é importante: a inocência. Não como forma de ingenuidade, tolice, sinônimo de gaiato. Inocência como liberdade de pensamento, de saber que é sadio brincar e de saber, também, a ser responsável. Crianças de 5 anos são muito responsáveis, a seu modo.
Deveriam continuar a incentivar esse comportamento inato delas.
Deveriam é incentivá-las a serem crianças. Se vocês têm filhos, sobrinhos, qualquer conhecido com idade entre 0 e 14 anos, lembre-os sempre disso. Ser adulto não é nem nunca foi ser melhor, e somente os hipócritas incentivam esse tipo de disparate, inferiorizando a opinião dos mais jovens. Eles podem não saber de muita coisa, mas aprendem rápido. E nem sempre com as fontes mais saudáveis.
Comemorem. Com 10, 20, 40 ou bem mais que isso. Aquele negócio de "criança interior" é verdade.
Nicneven

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