Final de semana conturbado...vamos falar dele em partes.
Parte 1, ou "Minha vida de pseudo-artista":
Eu deveria ter escrito isso logo quando a coisa toda aconteceu, mas não foi possível graças ao estado lastimável de impotência criativa em que entrei.
Eu faço Artes Plásticas. A minha vida inteira foi dedicada ao desenho e suas variantes; desde a mais tenra idade eu fui condicionada e estimulada a desenhar, numa vã promessa de que eu ia trabalhar com isso no futuro. Foram anos gastos em escolas de desenho, cursos de arte, dias inteiros brincando com lápis e papel ao invés de bolas, bonecas, jogos.
Para quê eu desenhava?
Porque era gostoso. Era divertido desenhar.
Aos 15 anos eu mudei para um colegial técnico de Desenho de Comunicação. Foi a glória, confesso: ver a possibilidade de concretizar todos os planos de infância e adolescência.
Mas nada aconteceu. Eu fiz os 4 anos da grade curricular, fui excelente em algumas matérias, capenga em outras, mas consegui: me formei no período certo, sem um ano a mais na cota. Eu havia feito colegial técnico porque não queria fazer faculdade, acreditava que na área que escolhi ter um diploma era irrelevante.
De fato é, mas não nesse caso. Eu visitei editoras, visitei revistas, levei emu currículo com desenhos de quadrinhos europeu infantil e outras coisinhas, e não deu em nada. A idade pesou; na época alguns não quiseram receber uma menina de 19 anos que desenhava "coisinhas meiguinhas com anatomia duvidosa".
Eu não sou meiguinha. Luto contra isso todos os dias.
Vendo que minhas chances de conseguir um emprego como desenhista eram ridículas (afinal eu me especializei em pincéis e não em Photoshop e programas de computador de desenho - os quais ainda nutro um profundo ódio), segui os conselhos familiares e prestei vestibular. No 1º ano de tentativa, obviamente, não passei, então fui fazer cursinho.
Aí que percebi o quanto ter feito colegial técnico foi inútil: eu não sabia absolutamente nada de matérias exatas e biológicas e lembrava muito pouco de geografia. História e Português, ao menos, a situação era bem melhor: junto com os lápis e papéis, a menininha desenhista gostava de ler livros de História e Literatura/Gramática. Que burra. Deveria ter investido em Matemática, mas a família tinha que incentivar a área de Humanas??
Prestei vestibular de novo, passei. Na faculdade errada, mas isso agora nem vêm ao caso. Me lembro que chorei horrores na matrícula porque era como se tivesse assinando um contrato de alugar minha alma por 4 anos. Eu disse que não ia falar sobre isso né? Pois bem, cala-te boca...
fim da parte 1.
Nicneven
Parte 1, ou "Minha vida de pseudo-artista":
Eu deveria ter escrito isso logo quando a coisa toda aconteceu, mas não foi possível graças ao estado lastimável de impotência criativa em que entrei.
Eu faço Artes Plásticas. A minha vida inteira foi dedicada ao desenho e suas variantes; desde a mais tenra idade eu fui condicionada e estimulada a desenhar, numa vã promessa de que eu ia trabalhar com isso no futuro. Foram anos gastos em escolas de desenho, cursos de arte, dias inteiros brincando com lápis e papel ao invés de bolas, bonecas, jogos.
Para quê eu desenhava?
Porque era gostoso. Era divertido desenhar.
Aos 15 anos eu mudei para um colegial técnico de Desenho de Comunicação. Foi a glória, confesso: ver a possibilidade de concretizar todos os planos de infância e adolescência.
Mas nada aconteceu. Eu fiz os 4 anos da grade curricular, fui excelente em algumas matérias, capenga em outras, mas consegui: me formei no período certo, sem um ano a mais na cota. Eu havia feito colegial técnico porque não queria fazer faculdade, acreditava que na área que escolhi ter um diploma era irrelevante.
De fato é, mas não nesse caso. Eu visitei editoras, visitei revistas, levei emu currículo com desenhos de quadrinhos europeu infantil e outras coisinhas, e não deu em nada. A idade pesou; na época alguns não quiseram receber uma menina de 19 anos que desenhava "coisinhas meiguinhas com anatomia duvidosa".
Eu não sou meiguinha. Luto contra isso todos os dias.
Vendo que minhas chances de conseguir um emprego como desenhista eram ridículas (afinal eu me especializei em pincéis e não em Photoshop e programas de computador de desenho - os quais ainda nutro um profundo ódio), segui os conselhos familiares e prestei vestibular. No 1º ano de tentativa, obviamente, não passei, então fui fazer cursinho.
Aí que percebi o quanto ter feito colegial técnico foi inútil: eu não sabia absolutamente nada de matérias exatas e biológicas e lembrava muito pouco de geografia. História e Português, ao menos, a situação era bem melhor: junto com os lápis e papéis, a menininha desenhista gostava de ler livros de História e Literatura/Gramática. Que burra. Deveria ter investido em Matemática, mas a família tinha que incentivar a área de Humanas??
Prestei vestibular de novo, passei. Na faculdade errada, mas isso agora nem vêm ao caso. Me lembro que chorei horrores na matrícula porque era como se tivesse assinando um contrato de alugar minha alma por 4 anos. Eu disse que não ia falar sobre isso né? Pois bem, cala-te boca...
fim da parte 1.
Nicneven

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