Parte 2, ou "Onde a crise realmente começa":
Pois bem. A menina entrou na faculdade de Artes Plásticas, que era o caminho natural para quem cuja única coisa que sabe fazer na vida é desenhar. E lá foi ela, acreditando que aquilo ia ser uma extensão do colegial técnico.
Não foi. Era infinitamente inferior do que o colegial técnico. Mas eu disse que não ia discutir sobre isso, caramba, fica quieta....
Então, em plena aula de sábado que raramente vou, encontro no corredor uma menina do 1º ano de Educação Artística, sangue novo e idéias ainda limpas de manipulações do ambiente (em partes, mas ainda assim limpa). E ela me conta, emocionada, que mostrou o trabalho dela para um professor de comportamento dificílimo mas com a bagagem cultural proporcional ao tamanho do gênio (superlativo).
Ela me mostra o trabalho, coisas bonitas. E começa a explicar o sentido daquilo tudo, porquê colocou as coisas desse ou daquele jeito. E me vêm com a bomba: "As pessoas têm que ter uma intenção quando fazem um trabalho plástico, não consigo entender uma pessoa que faz um quadro, por exemplo, só por fazer. Não consigo acreditar nessas pessoas que fazem exibicionismo de técnica sem intenção alguma por trás. O que a levou fazer uma obra, foi só porque é gostoso? Arte é expressão e se esqueceram disso".
Fiz minhas as palavras delas, na medida em que ia apanhando moralmente. Por que eu desenho??? Qual a minha intenção? O que eu quero dizer com as minhas mocinhas Art Nouveau?Por que eu desenho esse tipo de coisa? O que eu quero dizer ao mundo? Quero dizer algo ao mundo?
E me frustrei. Me frustrei porque sim, eu quero que as coisas deixem de ser como eram, eu quero que a menininha que desenhava porque era gostoso e que queria ser ilustradora de livros infantis cresça, procure algum sentido pra continuar vivendo/trabalhando/produzindo arte. Para quê fazer arte?
fim da parte 2.
Nicneven
Pois bem. A menina entrou na faculdade de Artes Plásticas, que era o caminho natural para quem cuja única coisa que sabe fazer na vida é desenhar. E lá foi ela, acreditando que aquilo ia ser uma extensão do colegial técnico.
Não foi. Era infinitamente inferior do que o colegial técnico. Mas eu disse que não ia discutir sobre isso, caramba, fica quieta....
Então, em plena aula de sábado que raramente vou, encontro no corredor uma menina do 1º ano de Educação Artística, sangue novo e idéias ainda limpas de manipulações do ambiente (em partes, mas ainda assim limpa). E ela me conta, emocionada, que mostrou o trabalho dela para um professor de comportamento dificílimo mas com a bagagem cultural proporcional ao tamanho do gênio (superlativo).
Ela me mostra o trabalho, coisas bonitas. E começa a explicar o sentido daquilo tudo, porquê colocou as coisas desse ou daquele jeito. E me vêm com a bomba: "As pessoas têm que ter uma intenção quando fazem um trabalho plástico, não consigo entender uma pessoa que faz um quadro, por exemplo, só por fazer. Não consigo acreditar nessas pessoas que fazem exibicionismo de técnica sem intenção alguma por trás. O que a levou fazer uma obra, foi só porque é gostoso? Arte é expressão e se esqueceram disso".
Fiz minhas as palavras delas, na medida em que ia apanhando moralmente. Por que eu desenho??? Qual a minha intenção? O que eu quero dizer com as minhas mocinhas Art Nouveau?Por que eu desenho esse tipo de coisa? O que eu quero dizer ao mundo? Quero dizer algo ao mundo?
E me frustrei. Me frustrei porque sim, eu quero que as coisas deixem de ser como eram, eu quero que a menininha que desenhava porque era gostoso e que queria ser ilustradora de livros infantis cresça, procure algum sentido pra continuar vivendo/trabalhando/produzindo arte. Para quê fazer arte?
fim da parte 2.
Nicneven

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