Parte 3, ou "A hora da reflexão":
E então no sábado passado eu volto pra casa com um problema muito maior do que poderia supôr, um problema que engloba não só minha estadia na faculdade como também no que eu irei fazer da minha vida daqui em diante.
Certa vez eu ouvi dizer que quem faz arte realmente têm algum problema psicológico. Expressões artísticas serviriam como uma válvula de escape para quem não sabe como verbalizar (a forma civilizada!) o que sente. Logo, arte é para quem não se encaixa no comportamento padrão do ser humano.
OK, eu tenho lá minhas normalidades, mas se formos pensar em certo âmbito comportamental eu não sou 100% encaixada na sociedade humana. certo, ponto para ser artista.
Mas o tipo de coisa que eu desenho não expressa nada mais do que meu prazer em fazer desenhos limpinhos e figuras bonitas.Que mensagem eu passo? A de que eu gosto de desenhar figuras bonitas?
Eu tenho algo a dizer para o mundo? Ah, isso eu tenho. Nem que seja que não gosto de boa parte do comportamento das pessoas que vivem nele, ou das coisas que gosto nele (que são muitas).
Aí, não mais naquele sábado, mas num restolho de domingo-quase-segunda-feira, eu me lembrei de certos fatos e a ficha caiu.
Eu gosto de pintar, desenhar, até de esculpir embora era não seja minha área de atuação principal (Ok, OK, eu NÃO tenho uma área de atuação porque NÃO trabalho com arte? Relevemos este fato...). O que eu gosto de fazer? Retratar pessoas. Não bem pessoas, mas deuses. Deuses, alguns personagens de literatura, quadrinhos, RPG, historietas, mas o grosso mesmo é de figuras de religiões mortas e mitológicas.
O que eu quero passar com isso? Eu quero preservar a memória. Lembrar às pessoas de que muito antes da patota do judeu barbudo dominar parte do mundo e muito antes da patota do árabe barbudo dominar a outra parte haviam outras culturas tão ou mais interessantes no mundo inteiro. Inteiro! Deuses e cultos infinitos foram postos de lado pela lei do mais viável economicamente, pela lei da homogeneização cultural. E, em protesto e em memória de boa parte deles (não digo todos porque para retratar tudo seria necessário muito mmais do que uma vida...mas se algum deles quiser negociar para que o serviço seja feito em uma só, eu topo viver para sempre), eu os adotei como temática.
Bingo. Eureka. Eu tenho algo a dizer para o mundo. Eu tenho um discurso. Eu tenho um motivo para fazer arte.
Não vai render dinheiro fácil nem glória imediata ou aceitação total dos meus professores críticos de arte e curadores de exposição, mas é o que eu tenho a dizer e fazer. Posso fazer outras coisas, sem dúvida alguma, mas essa é a minha maldita "poética pessoal", como aquele povinho gosta de dizer.
Eu topo ser ilustradora de livros sem crise existencial alguma, mas ao menos descobri que meu foco primordial é arte sacra. Nunca imaginei isso, para quem desenhava coisinhas bonitinhas. Bom, descoberta a razão para se fazer arte, agora eu preciso me encontrar com técnicas de expressão, com materiais a serem usados. Mas acredito, sem sombra de dúvida, de que o mais sofrido já passou.
fim da parte 3 e fim da história.
Nicneven
E então no sábado passado eu volto pra casa com um problema muito maior do que poderia supôr, um problema que engloba não só minha estadia na faculdade como também no que eu irei fazer da minha vida daqui em diante.
Certa vez eu ouvi dizer que quem faz arte realmente têm algum problema psicológico. Expressões artísticas serviriam como uma válvula de escape para quem não sabe como verbalizar (a forma civilizada!) o que sente. Logo, arte é para quem não se encaixa no comportamento padrão do ser humano.
OK, eu tenho lá minhas normalidades, mas se formos pensar em certo âmbito comportamental eu não sou 100% encaixada na sociedade humana. certo, ponto para ser artista.
Mas o tipo de coisa que eu desenho não expressa nada mais do que meu prazer em fazer desenhos limpinhos e figuras bonitas.Que mensagem eu passo? A de que eu gosto de desenhar figuras bonitas?
Eu tenho algo a dizer para o mundo? Ah, isso eu tenho. Nem que seja que não gosto de boa parte do comportamento das pessoas que vivem nele, ou das coisas que gosto nele (que são muitas).
Aí, não mais naquele sábado, mas num restolho de domingo-quase-segunda-feira, eu me lembrei de certos fatos e a ficha caiu.
Eu gosto de pintar, desenhar, até de esculpir embora era não seja minha área de atuação principal (Ok, OK, eu NÃO tenho uma área de atuação porque NÃO trabalho com arte? Relevemos este fato...). O que eu gosto de fazer? Retratar pessoas. Não bem pessoas, mas deuses. Deuses, alguns personagens de literatura, quadrinhos, RPG, historietas, mas o grosso mesmo é de figuras de religiões mortas e mitológicas.
O que eu quero passar com isso? Eu quero preservar a memória. Lembrar às pessoas de que muito antes da patota do judeu barbudo dominar parte do mundo e muito antes da patota do árabe barbudo dominar a outra parte haviam outras culturas tão ou mais interessantes no mundo inteiro. Inteiro! Deuses e cultos infinitos foram postos de lado pela lei do mais viável economicamente, pela lei da homogeneização cultural. E, em protesto e em memória de boa parte deles (não digo todos porque para retratar tudo seria necessário muito mmais do que uma vida...mas se algum deles quiser negociar para que o serviço seja feito em uma só, eu topo viver para sempre), eu os adotei como temática.
Bingo. Eureka. Eu tenho algo a dizer para o mundo. Eu tenho um discurso. Eu tenho um motivo para fazer arte.
Não vai render dinheiro fácil nem glória imediata ou aceitação total dos meus professores críticos de arte e curadores de exposição, mas é o que eu tenho a dizer e fazer. Posso fazer outras coisas, sem dúvida alguma, mas essa é a minha maldita "poética pessoal", como aquele povinho gosta de dizer.
Eu topo ser ilustradora de livros sem crise existencial alguma, mas ao menos descobri que meu foco primordial é arte sacra. Nunca imaginei isso, para quem desenhava coisinhas bonitinhas. Bom, descoberta a razão para se fazer arte, agora eu preciso me encontrar com técnicas de expressão, com materiais a serem usados. Mas acredito, sem sombra de dúvida, de que o mais sofrido já passou.
fim da parte 3 e fim da história.
Nicneven

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