Voltei a caminahr pela terra, enquanto pequenas asinhas marcam suas penas no chão onde piso.
Voar é bom. Saber que se pode andar e voar, melhor ainda.
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Existe uma pessoa.
Essa pessoa faz uma lei de cunho social forte, baseada na reeducação da população de onde ela supostamente zela e governa.
Parte da população precisa da lei parachegar próxima de uma conscientização obviamente forçada; parte dela naturalmente têm escrúpulos e a outra parte não vê sentido nisso e é fiel a sua posição.
Só que algumas pessoas tidas como naturalmente conscientes sentem-se no direito quase divino de lembrar a todos sem distinção de opinião que a lei existe e deve ser cumprida mesmo em casos onde ela não se aplica - tratando-se de uma lei móvel, com obrigatoriedade somente em certas situações.
Então a dona do caern, em seu trajeto habitual em direção ao Convento dos Infernos, infelizmente depara-se com uma dessas agentes do bem-estar social das minorias inexistentes.
Não, não é sobre cigarro. É sobre bancos cinzas de metrô.
Nicneven senta em um desses banquinhos reservados a idosos, deficientes, mulheres com crianças de colo e grávidas já que nas redondezas de seu lugar não há ninguém nessas condições. Fica atenta caso surja alguém assim, mas prega os olhos uns instantinhos.
Até que sente um cutucão. Não uma leve cutucada com a ponta dos dedos; um cutucão daqueles, quase um safanão. Ergue os olhos assustada e vê a agente apontando um lugar meio longe dali: "Levanta que têm uma mulher com bebê no colo". (entonação: o mais inquisidor possível, uma perfeita ordem). Tento procurar a tal mulher, e vejo que há alguns segundos ela já sentou em outro lugar. Digo meio baixinho que ela já sentou e fecho meus olhos, indignada com a educação maravilhosa da defensora dos menos favorecidos.
Estação seguinte, mesmo cutucão. Ergo os olhos e vejo, a alguns passos de onde estou sentada, uma mulher de mãos dadas com uma criança de uns 8, 9 anos que nem olhavam na minha direção. Agente: "Agora você levanta". Olha bem nos olhos da infeliz que a todo custo queria me tirar do meu lugar, abro um sorriso bem sarcástico e digo um tudo bem entre dentes....e volto a dormir.
(comentário em off: PQP!!!!!! Ela simplesmente queria me tirar de lá e não estava tendo nenhum motivo concreto, logo ficou caçando pessoas que se encaixassem nas preferências do banco cinza longe dele!! Como podem existir pessoas que ajam assim neste mundo? - tola eu acreditar que não possam existir...tola...)
Para não me indispor ainda mais, acabei trocando de vagão e prossegui feliz e contente até o Convento.
Mas o dia era de batalhas, obviamente que elas não acabariam em um simples desentendimento com uma agente da moral e bons costumes como aquela (eu ousaria pedir aos leitores para deduzirem a religião da senhorita, mas isso é matéria pra outro post).
Pois bem; mais um ônibus e chego ao lugar infame.
Sento no meu banquinho, olhando bem em volta com uma compreenvível mania de perseguição depois do ocorrido, e volto a cochilar...até sentir um tranco fenomenal no ônibus que, graças aos meus reflexos, não perco o nariz no banco da frente.
Recompondo-me do susto, reparo que o motorista está aos berros com alguém do lado de fora. Outro motorista? Não não...o motorista queria matar um motoqueiro e estava apostando racha com ele. Claaaro, racha, vejam só! Um veículo enorme com aproximadamente 15 pessoas dentro dele sendo forçadas a segurar como puderem nos bancos por que o dileto condutor queria atropelar o motoqueiro....três vivas ao motorista!!! Eeee!!
Passa o incidente, sobem duas senhoras de idade no ônibus. Vários bancos reservados vazios, uma se senta. A outra permanece de pé com uma notável cara feia. E eu simplesmente não acreditei mais no que vi:
"Saí daí que eu quero sentar! Sai agora!!"
"Têm lugar ali, senta lá!!"
"Cala a boca que eu quero sentar aí sua nojenta, sai agoraaaa!!"
"Não saio!!"
"Levanta e sai!!!!!"
Sim, meus caros....o diálogo pertence a duas menininhas de 70 anos e não de 7...
A briga termina quando a mais eufórica desce do ônibus, e eu, já na rua a poucos passos do Convento dos Infernos, penso no quanto o ser humano gosta de brigar, de lutar por coisas sem sentido, ou de brigar pelo simples prazer de fazê-lo.
(OK, eu reconheço que às vezes faço isso, mas nunca é gratuito. E eu não pediria a alguém pra levantar do banco de idosos...grunf...)
E o dia termina com um cobrador de outra linha encrencando comigo pela segunda vez, o que só comprova que ele não deve gostar da minha cara ou algo do gênero. Na primeira eu achei que fosse porque eu estava vestida de menininho com mochila nas costas ( uma loira de cervejaria entregou um passe pra ele na minha frente e seguiu contente, eu entreguei um passe idêntico e ele barrou a catraca quase me jogando no chão só pra conferir, pacientemente, se o passe era falso ou não...). Mas nessa segunda vez, não!!! Eu não estava mal vestida, entreguei o passe escolar, esperei um tempinho até ir virando a catraca lentamente...e ele pede pra ver minha carteirinha de estudante. (Nota: eu estava carregando cadernos e com mochila nas costas). Procuro devagar a dita cuja enquanto ele murmura dizendo que existem pessoas que não estudam e que usam passes escolares e que eu poderia ser uma delas, até que ele nota a fila considerável de pessoas querendo passar a catraca e me libera para passar - não sem antes vir com a infâmia de pedir que "na próxima vez, seja mais educada". E eu nem falei com ele pra ele tirar essa conclusão.
Não pego mais ônibus naquele horário.
E a sorte de todos eles é que eu não estava na TPM.
(a bem da verdade, a sorte é que, por um grande acaso da natureza, eu acordei zen. Isso é raro, mas depois desse incidente veio a comprovação de que a natureza é profundamente sábia.)
Blé.
Nicneven
Voar é bom. Saber que se pode andar e voar, melhor ainda.
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Existe uma pessoa.
Essa pessoa faz uma lei de cunho social forte, baseada na reeducação da população de onde ela supostamente zela e governa.
Parte da população precisa da lei parachegar próxima de uma conscientização obviamente forçada; parte dela naturalmente têm escrúpulos e a outra parte não vê sentido nisso e é fiel a sua posição.
Só que algumas pessoas tidas como naturalmente conscientes sentem-se no direito quase divino de lembrar a todos sem distinção de opinião que a lei existe e deve ser cumprida mesmo em casos onde ela não se aplica - tratando-se de uma lei móvel, com obrigatoriedade somente em certas situações.
Então a dona do caern, em seu trajeto habitual em direção ao Convento dos Infernos, infelizmente depara-se com uma dessas agentes do bem-estar social das minorias inexistentes.
Não, não é sobre cigarro. É sobre bancos cinzas de metrô.
Nicneven senta em um desses banquinhos reservados a idosos, deficientes, mulheres com crianças de colo e grávidas já que nas redondezas de seu lugar não há ninguém nessas condições. Fica atenta caso surja alguém assim, mas prega os olhos uns instantinhos.
Até que sente um cutucão. Não uma leve cutucada com a ponta dos dedos; um cutucão daqueles, quase um safanão. Ergue os olhos assustada e vê a agente apontando um lugar meio longe dali: "Levanta que têm uma mulher com bebê no colo". (entonação: o mais inquisidor possível, uma perfeita ordem). Tento procurar a tal mulher, e vejo que há alguns segundos ela já sentou em outro lugar. Digo meio baixinho que ela já sentou e fecho meus olhos, indignada com a educação maravilhosa da defensora dos menos favorecidos.
Estação seguinte, mesmo cutucão. Ergo os olhos e vejo, a alguns passos de onde estou sentada, uma mulher de mãos dadas com uma criança de uns 8, 9 anos que nem olhavam na minha direção. Agente: "Agora você levanta". Olha bem nos olhos da infeliz que a todo custo queria me tirar do meu lugar, abro um sorriso bem sarcástico e digo um tudo bem entre dentes....e volto a dormir.
(comentário em off: PQP!!!!!! Ela simplesmente queria me tirar de lá e não estava tendo nenhum motivo concreto, logo ficou caçando pessoas que se encaixassem nas preferências do banco cinza longe dele!! Como podem existir pessoas que ajam assim neste mundo? - tola eu acreditar que não possam existir...tola...)
Para não me indispor ainda mais, acabei trocando de vagão e prossegui feliz e contente até o Convento.
Mas o dia era de batalhas, obviamente que elas não acabariam em um simples desentendimento com uma agente da moral e bons costumes como aquela (eu ousaria pedir aos leitores para deduzirem a religião da senhorita, mas isso é matéria pra outro post).
Pois bem; mais um ônibus e chego ao lugar infame.
Sento no meu banquinho, olhando bem em volta com uma compreenvível mania de perseguição depois do ocorrido, e volto a cochilar...até sentir um tranco fenomenal no ônibus que, graças aos meus reflexos, não perco o nariz no banco da frente.
Recompondo-me do susto, reparo que o motorista está aos berros com alguém do lado de fora. Outro motorista? Não não...o motorista queria matar um motoqueiro e estava apostando racha com ele. Claaaro, racha, vejam só! Um veículo enorme com aproximadamente 15 pessoas dentro dele sendo forçadas a segurar como puderem nos bancos por que o dileto condutor queria atropelar o motoqueiro....três vivas ao motorista!!! Eeee!!
Passa o incidente, sobem duas senhoras de idade no ônibus. Vários bancos reservados vazios, uma se senta. A outra permanece de pé com uma notável cara feia. E eu simplesmente não acreditei mais no que vi:
"Saí daí que eu quero sentar! Sai agora!!"
"Têm lugar ali, senta lá!!"
"Cala a boca que eu quero sentar aí sua nojenta, sai agoraaaa!!"
"Não saio!!"
"Levanta e sai!!!!!"
Sim, meus caros....o diálogo pertence a duas menininhas de 70 anos e não de 7...
A briga termina quando a mais eufórica desce do ônibus, e eu, já na rua a poucos passos do Convento dos Infernos, penso no quanto o ser humano gosta de brigar, de lutar por coisas sem sentido, ou de brigar pelo simples prazer de fazê-lo.
(OK, eu reconheço que às vezes faço isso, mas nunca é gratuito. E eu não pediria a alguém pra levantar do banco de idosos...grunf...)
E o dia termina com um cobrador de outra linha encrencando comigo pela segunda vez, o que só comprova que ele não deve gostar da minha cara ou algo do gênero. Na primeira eu achei que fosse porque eu estava vestida de menininho com mochila nas costas ( uma loira de cervejaria entregou um passe pra ele na minha frente e seguiu contente, eu entreguei um passe idêntico e ele barrou a catraca quase me jogando no chão só pra conferir, pacientemente, se o passe era falso ou não...). Mas nessa segunda vez, não!!! Eu não estava mal vestida, entreguei o passe escolar, esperei um tempinho até ir virando a catraca lentamente...e ele pede pra ver minha carteirinha de estudante. (Nota: eu estava carregando cadernos e com mochila nas costas). Procuro devagar a dita cuja enquanto ele murmura dizendo que existem pessoas que não estudam e que usam passes escolares e que eu poderia ser uma delas, até que ele nota a fila considerável de pessoas querendo passar a catraca e me libera para passar - não sem antes vir com a infâmia de pedir que "na próxima vez, seja mais educada". E eu nem falei com ele pra ele tirar essa conclusão.
Não pego mais ônibus naquele horário.
E a sorte de todos eles é que eu não estava na TPM.
(a bem da verdade, a sorte é que, por um grande acaso da natureza, eu acordei zen. Isso é raro, mas depois desse incidente veio a comprovação de que a natureza é profundamente sábia.)
Blé.
Nicneven

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