segunda-feira, março 31, 2003

Comentário aleatório do dia: Acho que nossa vida talvez pudesse ser mais simples, mas fazemos questão suprema de complicar.

Eu quero férias.

Digam que eu acabei de sair delas, digam que o ano mal começou, não me importo. Sabe por que eu as quero?
Porque a vida de hoje simplemente nos impede de dedicar tempo suficiente a atividades prazerosas e produtivas, que em tese deveria ser tudo o que nós deveríamos fazer.
Mas não estou amargurada com isso. Nem com o calendário, nem com a folhinha de mais um mês que é jogada fora dando lugar a um outro mês, novinho em folha. Uma querida irmã comentou sobre sementes plantadas que estarão sendo colhidas agora no outono.

O que eu plantei desde o inverno passado?
Algumas das sementes que plantei germinaram e deram origem a lindas flores fortes que murcharam de certa forma subitamente, espalhando suas pétalas pelo ar. Outras, que joguei despreocupadamente ao chão acabaram por brotar, prometendo ganhos futuros. Outras nasceram teimosas por baixo de pedras e escombros de colheitas anteriores, mostrando quão belas e vivas ainda estavam, somente esperando o momento certo para despertarem e romperem seu silêncio. Mas não sobraram muitas plantas nesse meu jardim de projetos aqui no caern. Muito mais da metade da minha safra de sementes do ano passado foi destruída, e restaram somente as mais peculiares, resistentes e estranhas a seu próprio modo; que sobreviveram por serem inquietas e não terem se acomodado a certas situações. Meu jardim é estranho e com poucas flores muito exóticas, mas ainda assim é a prova de algum tipo de vitória: a vitória sobre grandes adversidades. Há, ainda, a permanência de árvores que eram pequenos brotos verdes no ano anterior e que esse ano, tendo sofrido adversidades como todas as outras sementes, acabaram por crescer rapidamente e fortes como nunca. Mas essas também são poucas, mas me orgulho de cada uma delas.

Não sei o que acontecerá com essas poucas flores e frutos que permaneceram. Pelas leis do Universo, devo cultivar minha própria criação, meu jardim. Não o abandonarei. Mas talvez tenha perdido um pouco da fé em sementes. E talvez a vida tenha que me dar um singelo tapa e contrariar-me.

E como eu uso a palavra "talvez", meus deuses!

Nicneven

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