quarta-feira, fevereiro 26, 2003

Sonhei que São Paulo estava afundando sobre um rio de lava. Era como se a cidade tivesse sido construída sobre um vulcão muito, muito extinto; e graças a um míssel caído no final da minha rua o processo de expulsão da lava recomeçou.

Eu me lembro do chão fundindo-se aos meus pés, e de ter tido que colocar o mínimo possível em uma mochila e ter saltado as placas de concreto que ainda restavam intactas para me salvar. Minha família ficou dividida por cada um estar em um pedaço da cidade: todos estavam ilhados, muitos morreram tragados pelo rio incandescente.

A lava saía em ciclos; ora estabilizava-se, ora a confusão começava de novo. Era como se estivéssemos pisando em placas de pequenos icebergs que se mexiam quando bem entendiam, ao sabor do mar (mas um mar de fogo). Tentava encontrar meus amigos e não conseguia, tentava reaver meus familiares e não conseguia; e a notícia que corria era que dentro de poucas horas, São Paulo inteira estaria abaixo da Terra, derretida. E eu, impotente, apenas com minha mochila nas costas, tentando sobreviver.

Que jeito de se começar um dia.
E o mais hilário, mais "humor negro", é que meus sonhos andam me dizendo muito sobre o que me espera no dia que se inicia. Os espíritos estão gritando no meu ouvido, e dessa vez não adianta achar que é coincidência ou mera desconfiança perante o mundo.

Sugestivo ou não eu ter sonhado com um inferno??

Nicneven

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