domingo, fevereiro 23, 2003

Deuses de meu querido panteão grego, dai-me forças e coragem para me levantar da cama às 5 da manhã para ir a um lugar onde não sou bem-vinda e que odeio. Amém.

Não sei se é característico do ser humano juntar coisas inúteis que para ele emocionalmente têm valor. Sei que ao longo de minha vida eu guardei carinhosamente uma tonelada de papeizinhos, bilhetinhos, recortes de jornal, revistas, páginas de revistas, rabiscos, etc., e que hoje, limpando minhas coisas, percebi a quantidade de inutilidades ali contida. Sim, não vou retirar o valor que cada pedaço de papel de bala guardado deveria ter, mas hoje eles não fazem sentido.

Já comentei várias vezes aqui no caern que acho o desapego da religião budista um ideal de vida, algo maravilhoso; mas talvez exatamente por ser algo idealizado. Não, por mais que eu tente, desapegar-me totalmente das coisas seria como ir contra a minha natureza e minha filosofia é entendê-la e não renegá-la.

Mas sim, juntamos coisas inúteis. E é libertador livrar-se de coisas que simplesmente não servem mais e não têm mais significado; é como se junto com as coisas inúteis fosse embora tudo de estagnado que elas representavam. Tão bom quanto isso, é ter que pesar o que vai e o que fica. Ter domínio do que realmente importa, e saber como administrar isso é um aprendizado. perceber que a vida pode ser levada muito bem obrigada sem tanto supérfluo.
E estou no fim de uma etapa de limpeza, e é engraçado notar que ela não é só física. (céticos de plantão, não encham meu saco....obrigada)

Se chovesse agora, seria um final com chave de ouro...

Nicneven

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