terça-feira, julho 08, 2003

Uma das coisas que eu mais gostava e a internet me tirou foram as cartas, via correio.
Pode ser caretice minha, ou mentalidade arcaica; mas o prazer de receber um pacotinho de papel pelo correio, que veio de um lugar bem longe enviado por uma pessoa querida e que atravessou a cidade até cair nas minhas mãos é sublime.


Mas hoje em dia trocaram esta materialidade pelo virtual. Manda-se emails como faz-se uma ligação telefônica, ou pior: como se liga uma televisão. E o que aconteceu com esta aparente evolução dos meios de correspondência tornou-se um veículo para a impessoalidade. Recebemos correntes, mensagens copiadas de outras pessoas, cartas encaminhadas de outras cartas, que foram encaminhadas de outras e por aí vai. Algo realmente endereçado a você, com conteúdo que diz respeito à sua pessoa? Não mesmo.

Por isso que, quando pela conjunção das estrelas e dos planetas e pela obra do destino eu recebo algo na minha caixa postal com um título decente e não o nome de algum grupo de discussão, eu me lembro das cartas de papel. Emoção menor, mas ainda assim é o que me restou.

Acho que as pessoas deveriam mandar mensagens de verdade ao invés de piadas para alegrar o dia de alguém. Ou então poesias erradas de próprio punho digital ao invés de buscar um poeminha qualquer com fotos de cachorrinhos em sites de mails prontos. Individualidade e atenção valem muito mais do que qualquer mensagem enorme em power point.

Nicneven

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial