quarta-feira, janeiro 08, 2003

Existe uma frase, clássica, que diz:"cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

Sabe nada. Tentamos a todo instante lutar contra o que somos, conscientemente ou não. Tentar tornar-se mais agradável às pessoas, ou a si mesmo, passando por cima de coisas tão simples como nossa personalidade. Ignorar gostos e comportamentos em prol de aceitação.

É difícil perceber e, mais ainda, aceitar as dores e delícias de sermos o que de fato somos. O que é bom em nós costumamos ver como grandes defeitos, e aí voltamos ao círculo vicioso de querer mudar o que não é necessário. Ou então não mudamos, simplesmente sublimamos o comportamento ou o gosto e fazemos algo totalmente oposto por crer que, assim, não sofreremos a influência do que nos parece errado e condenaremos tal pecado às profundezas de nossa alma.
Grande engano. Não conseguimos deixar de ser o que somos de verdade. Fazer tudo ao contrário só reforça essa pantomima, e nem percebemos o quão ridículos estamos sendo.

Acho que o ódio mais controverso que podemos sentir é o ódio a nós mesmos. E nem por isso deixamos de senti-lo.
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Às vezes um pequeno elogio, uma pequena manifestação de que somos aceitos e queridos mesmo quando não correspondemos ao nosso ideal de comportamento faz milagres absurdos.

Nicneven

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