segunda-feira, setembro 02, 2002

Não disse que o mal estar passava? Pois é, passou mesmo.
Tudo bem que a segunda-feira é um dia muito difícil pra mim porque a professora de hoje é o cúmulo da mulher obtusa que se faz de flexível, mas tudo bem. Há de se ter a nobre capacidade de rir de situações ridículas, mas confesso que a cada dia que passa isso têm se tornado muito difícil.Hoje foi um desses dias.

Pois bem. Essa mulher é a dona da matéria onde estou desenvolvendo um trabalho cujo principal material utilizado é sal grosso, com nítidas alusões à banho de descarrego e limpeza energética mas ela não sabe disso.
Ao notar que a classe em geral não se animou muito com suas idéias, ela propôs uma análise de diários de artistas, com a possível execução de um diário criativo por parte dos alunos. N minha humilde opinião isso é meio problemático graças aos valores trocados da querida senhora em questão.
Ela diz que encoraja a "poética pessoal", a "liberdade artística e de criação" dos alunos, mas tenho certeza de que se encontrar um diário com uma mísera caricatura dela, uma pequena frase contestando alguma ordem dada em sala de aula ou algum desenho cuja intenção não a agrade, vai perder o rebolado e dizer que "o diário de um artista não é lugar pra desabafos pessoais que não dizem respeito à arte em si"(sim, ela disse isso. Preciso de um daqueles gravadores de repórter).

Ora,como um diário não é lugar para desabafos pessoais?? O que se passa na cabeça dela pra acreditar que fatos do cotidiano, rabiscos e idéias soltas no papel não podem gerar matéria-prima pra obras artísticas?? Qual o conceito de "diário" para ela?

Aí a Nic aqui fica em um belo entrave criativo, porque não sabe fazer algo que não seja de certa forma um desabafo, e que não concorda em juntar meia dúzia de rascunhos desconexos e bonitinhos e dizer que é um diário de idéias.
Eu tenho um desses, que curiosamente é feito de páginas em branco de agendas antigas. Ele têm linhas cor de rosa, dias não seqüencias nas páginas, mas serviu durante mais de 5 anos para a função designada a ele. Confesso que passei a escrever lá mais o que eu pensava somente há dois anos, mas talvez eu o mostre a ela.
É perigoso. Eu temo, porque não fico estudando as palavras pra escrever lá. Já pensou se ela encontra um "Fulana é mesmo uma bruxa velha. Na verdade, dizer que é bruxa é uma ofensa à tantas mulheres legais; e dizer que é velha é um insulto à tantas anciãs interessantes. Logo, ela é pura e simplesmente uma nada."

Wow. Vivendo perigosamente!



Nicneven

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial