terça-feira, agosto 13, 2002



OK, vai um pouquinho da ode aqui...

O amor, sem dúvida alguma, move o mundo, seja para o bem ou para o mal. Porque o amor é algo tão sublime quanto consegue ser mundano e muitas vezes vil; destrói corações na mesma medida em que cola cada pedaço do mesmo quando este vai ao chão, cura feridas para simplesmente abri-las depois segundo seus caprichos.

Então por que amar? Por que submeter-se aos desmandos de Eros? (que,aliás, originalmente é um verdadeiro monstro, com dezenas de pares de asas, corpo de ave e pés de bronze que vivia no Limbo, ou Caos)

Justamente por isso: porque ele é, na verdade, nossa parte mais primal,mais instintiva e por conseqüencia mais vital. Há um consenso em colocar o Amor como a manifestação mais nobre e refinada do intelecto humano, mas é bobagem. Existem poemas lindos, pinturas magníficas cujo tema é o Amor, mas ele sempre é trágico. Sempre têm uma grande carga emocional, positiva ou não: morre-se de amor com muita facilidade, passa-se por inúmeras provações (e privações) em prol do amor, mata-se por amor, cura-se pelo amor. E muitos o pintam como se fosse o mais singelo, puro e simples dos sentimentos humanos.

Amar é, também, sofrer. Morrer um pouco a cada dia, a cada manifestação dele, de angústia por não poder consumar seus sentimentos e sensações. Engana-se, e muito, quem vê o Amor como um casamento perfeito em contos de fadas. O Amor é caprichoso, nunca admite ser menos do que o máximo que podemos suportar. Se não é intenso, não é Amor; e aí é que entrar a Ternura e o Carinho. O Desejo físico também, exatamente pela contra-parte, porque o Amor é também o equilíbrio dessas forças.
Ele é complexo, e por isso mesmo tão atraente. Mesmo sendo cruel. Mesmo sendo generoso. E justamente porque o Amor é humano.

E se dizem que ele é cego, garanto que têm audição, tato, paladar e olfato perfeitamente funcionais.

Nicneven in Love

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